quinta-feira, 29 de abril de 2010

UMA CHAMADA NA MADRUGADA



- Alô... Dani...?
- Silvia...
- Dani! Eu pedi para você não me ligar mais! Você sabe que horas são?! Além disso, o Roberto está dormindo aqui do meu lado... Ele vai ficar furioso se souber que você está me ligando!
- Silvia, eu não sei o que está acontecendo comigo...
- Você andou cheirando de novo?!
- Não! Eu juro! Eu bebi pra caramba, mas desde que nós terminamos eu nunca mais cheirei...
- Olha, eu vou desligar, ok?
- Não! Por favor! Eu sei que não estamos mais juntos, mas eu estou apavorado e não sei com quem falar!
- O que está acontecendo?
- Eu estou me sentindo estranho... Muito estranho!
- Dani! Onde você está? Não estou entendendo nada!
- Eu estou na cabana do pai do Marcinho... Estávamos aqui desde ontem, fazendo uma festa... Sílvia, eles estão todos mortos! Há sangue por todo lado!
- Meu Deus! Do que está falando?! Você está louco?!
- Não! É sério! Chegamos ontem, ao entardecer. Estávamos em dez, incluindo homens e mulheres. Era uma festa e tanto... Todo mundo bebendo e se divertindo... Tinha uma galera cheirando, mas eu não cheirei, juro! Estava apenas... Curtindo...
- Sim, eu imagino a putaria que estava rolando aí, com aqueles seus amiguinhos...!
- Mas então... Eu bebi demais e chegou um ponto em que apaguei... Lembro de ter vomitado no banheiro e depois alguém me ajudou a deitar, no quarto... Não sei quanto tempo se passou... Tenho a impressão de ter acordado, no meio da madrugada com uma gritaria dos infernos... Pela porta entreaberta do quarto pude ver gente correndo e o vulto de alguma outra... Coisa. Não sei o que era viagem da minha cabeça e o que era real, mas essa coisa pegava as pessoas e... Meu Deus! Era horrível! E depois ela entrou no quarto... Sim! Ela entrou no quarto!
- Chega, Dani! Vou ligar agora mesmo para a sua mãe! Ela precisa aceitar o fato de que esse seu problema com as drogas só vai terminar quando você for internado!
- Não! Por favor! Ouça, ouça... Eu não sei ao certo o que aconteceu, mas senti dor e havia... Sangue... Então apaguei de novo e só acordei há uma hora atrás. Minhas roupas estão rasgadas e eu estou todo sujo de sangue ressecado! Tenho marcas que parecem ser de arranhões e mordidas pelo corpo, mas os ferimentos estão praticamente cicatrizados...
- Daniel...
- Escute, porra! Quando eu saí do quarto, vi a cena mais horrível da minha vida! Tem tripas, e ossos por toda parte...! Está tudo revirado, a porta da sala foi derrubada e o carro do Marcinho está com o pára-brisa arrebentado... Aliás, o Marcinho está ali na varanda... Ele esta... O corpo dele... Está sem as pernas...! Meu Deus, porque será que só eu sobrevivi?!
- Dani, se isso tudo é verdade, não sei por que está ligando para mim ao invés de ligar para a polícia...
- Você está louca?! Vão pensar que fui eu! Além disso, eu estou mal... Acho que estou com febre... Sinto o meu corpo queimando... O meu coração parece que vai explodir!
- O que há com a sua voz? Dani, você...
- Cristo! As minhas mãos! Essas unhas... Garras...
- Dani?! Dani?!
- O meu rosto! Meu Deus! Meu Deus!
- Me diga onde fica essa cabana, Daniel! Vamos, me diga e eu mandarei alguém até aí!
- Dor!... Dor!...
- Daniel, pelo amor de Deus!
- Aaarrgghhh! Rrroooaarrrr!...Ghnnrr...
- Dani...?
- ...

3 comentários:

  1. Bah! acho que "caiu" a ligação... Rs
    Muito bom André!Parabéns amigo!
    Abraços
    Armin Daniel Reichert

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  2. Muito boa!!
    Bem original esse conto!!
    Parabéns!!

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  3. Valeu, werewolf. Que bom que você gostou. Abraço!

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