sábado, 29 de outubro de 2011

SANGUE E VINHO TINTO

Da série Minicontos Licantrópicos


O efeito do vinho atrasava a caminhada, deixando o andar trôpego e desequilibrado, mas também diluía a cada gole um pouco dos aborrecimentos que se empilhavam como garrafas vazias e inúteis nos porões poeirentos de uma mente que não queria se lembrar de nada. Não queria lembrar-se da chuva que atrasava a colheita, não queria lembrar-se do empréstimo bancário ainda pendente, não queria lembrar-se do preço da carne suína e muito menos do embargo imposto pelos importadores russos. E nesse esforço pelo esquecimento ele esqueceu-se também das recomendações para que não pegasse aquele caminho durante a noite, principalmente se fosse uma noite de lua cheia.
E assim, com a percepção inebriada e a visão turva, ele não notou com clareza a aproximação do vulto que o espreitava. Também não entendeu ao certo o que estava acontecendo quando se deu conta de que seu pescoço estava sendo espremido e que seus pés não estavam mais tocando o chão. Suspenso no ar, ele percebeu que o gosto agridoce do líquido que inundava sua boca e sua garganta não era o do vinho, mas só compreendeu que estava se engasgando no próprio sangue no instante em que seus olhos fitaram a lua e os seus ouvidos captaram o potente uivo de êxtase que ecoou pelos campos.
Pelo menos não haveria a famigerada ressaca do dia seguinte. Nunca mais.

domingo, 16 de outubro de 2011

LUA PERVERSA


Amigos visitantes

Para comemorar os dois anos do blog Escrituras da Lua Cheia decidi atender a uma velha reivindicação de várias pessoas que acompanham o meu trabalho, e com isso estou disponibilizando nesta atualização o curta-metragem experimental sobre lobisomens LUA PERVERSA, que produzi, roteirizei e dirigi em 2009.

Para quem nunca ouviu falar, esclareço que se trata de um trabalho amador realizado com baixíssimo orçamento, visando basicamente a diversão dos envolvidos e, eventualmente, de outros fãs de lobisomens que se interessem por este tipo de produção independente e descompromissada.

Vale destacar que, apesar de despretensioso, este filme foi exibido em festivais como a 5ª Mostra Trash, de Goiânia – GO, e a primeira edição do Espantomania, de São Paulo – SP, além de ter ganhado destaque em fanzines prestigiados e tradicionais como o Juvenatrix e o Fun House Xtreme. Uma resenha sobre o curta escrita por Renato Rosatti – conceituado crítico de horror, ficção cientifica e fantasia – pode ser lida aqui.

Também não posso deixar de mencionar a participação especial de Petter Baiestorf, cultuado produtor/diretor/ator responsável por pérolas como Ninguém Deve Morrer (2009) e o genial Vadias do Sexo Sangrento (2008), além de O Monstro Legume do Espaço (1995) e Zombio (1998), sendo que estes dois últimos provavelmente sejam os filmes mais conhecidos e referenciados do cinema underground brasileiro.

O ator Cesar Coffin Souza – parceiro de longa data das produções de Baiestorf e responsável por atuações brilhantes em filmes como Zombio (1998), Vadias do Sexo Sangrento (2008) e Ninguém Deve Morrer (2009) – também tem uma participação pequena, mas marcante em Lua Perversa.

Outro destaque é a música-tema - Bala de Prata - que rola nos créditos finais, cortesia da banda de horror punk Sertão Sangrento, do Rio Grande do Norte.

Sobre o curta em si, o que posso dizer é que ele se constitui em uma humilde homenagem aos filmes mudos da década de 1920, em especial àquele que é o meu favorito em se tratando de vampiros, o clássico Nosferatu (1922), de F. W. Murnau. Além dessa questão estética, eu também tentei dar ao filme uma atmosfera interiorana, um tom de “causo” folclórico permeado por elementos regionais típicos da região sul do Brasil.

Segue a sinopse e a ficha técnica do filme:

SINOPSE: No início do século XX, José Diogo, um homem nascido e criado em Porto Alegre, decide visitar alguns parentes que vivem em uma região rural isolada no interior do Rio Grande do Sul. Chegando lá, em meio a festividades movidas a churrasco, chimarrão e vinho, ele se encanta com a beleza da jovem Sofia, mas também descobre que aquelas pessoas vivem amedrontadas pelos “causos” de um lobisomem que habita a região. Incrédulo, ele decide investigar e acaba trazendo à tona um terrível segredo que irá banhar de sangue as noites de lua cheia. Uma história de lobisomem tipicamente brasileira, baseada no folclore gaúcho, mas contada de uma forma diferenciada.

FICHA TÉCNICA
Lua Perversa, 26:19’, preto-e-branco, SC/RS, 2009.
Direção: André Bozzetto Junior
Roteiro: André Bozzetto Junior
Produção: André Bozzetto Junior e Denise Z. Farneda
Elenco: Norma D. Malaggi, Denise Z. Farneda, Felipe Dall’Agnol, Murilo Signor, André Morrison, Marcelo de Jesus, Petter Baiestorf, Coffin Souza, Vagner Bozzetto, Alan Cassol, Karen Cavagnolli, Luiz Henrique Mosena.


Observação: Esta versão do filme que estou disponibilizando é uma versão preliminar e não a oficial. Por quê? Pelo simples motivo de que a oficial – assim como vários outros arquivos – acabou sendo perdida em uma pane do meu computador. Porém, esclareço que aquela versão era diferente apenas em termos de detalhes, alguns ajustes na edição e nas legendas. O restante do conteúdo é o mesmo. Também chamo a atenção para o fato de que a resolução está baixa, mas isto se deve ao blogspot, que só aceita vídeos de até 100 MB.

Então é isso. Espero que quem ainda não assistiu possa se descontrair um pouco com o filme e depois compartilhar suas opiniões nos comentários.

Valeu!

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PARTE 01
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PARTE 02
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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

DIÁRIO DA LUA CHEIA – 07


Olá, amigos leitores

Na seção Diário da Lua Cheia desta atualização trago fotos e comentários referentes à noite de autógrafos do livro JARBAS ocorrida em meio a programação da Feira do Livro de Ilópolis – RS, no dia 10 de outubro de 2011.
É sempre uma grande satisfação poder lançar um novo livro em minha cidade natal e, assim como aconteceu no ano passado com o Na Próxima Lua Cheia, a ocasião propiciou algumas horas muito aprazíveis de descontração e bate-papo com amigos, familiares e também novos leitores que estavam tendo contato com o meu trabalho pela primeira vez.
Vale destacar a bela iniciativa da Administração Municipal que promoveu uma Feira do Livro digna das grandes cidades, com muitos títulos à disposição do público com preços acessíveis, várias atividades paralelas voltadas às crianças e adolescentes, presença de diversos escritores, e uma elogiável medida de incentivo à aquisição de livros direcionada aos estudantes e professores, onde cada um recebia um vale de um determinado valor para gastar em exemplares durante a feira.
Certamente, não posso deixar de elogiar a parte específica da programação realizada na noite da segunda-feira chamada de Encontro com os Escritores, onde além deste que vos escreve, outros autores presentes também tiveram a oportunidade de conversar com o público sobre os seus trabalhos e autografar seus livros. Na ocasião recebi uma placa como reconhecimento pelo meu trabalho, o que obviamente me deixou muito contente e lisonjeado. Para completar, as vendas também foram ótimas, superiores até ao que se esperava inicialmente, tanto que todos os exemplares que ainda dispúnhamos para serem comercializados por lá foram rapidamente vendidos.
Por fim, registro aqui a minha satisfação de – assim como foi feito com o Na Próxima Lua Cheia no ano passado – ter tido a oportunidade de promover noites de autógrafos para o JARBAS em três cidades de três diferentes estados, vivenciando momentos extremamente agradáveis em todas essas ocasiões.
Muito obrigado aos organizadores do evento pela oportunidade e ao público pela marcante presença! Até a próxima!

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